Guia de viagem a Salamanca, Espanha

Aproveitamos a pausa escolar da criança (uma boa desculpa!!) para darmos um saltinho ao país vizinho e este artigo tem a pretensão de ser um pequeno Guia de viagem a Salamanca, Espanha.

Este é um destino pesquisado há uns tempos atrás e deixou-me com bastante curiosidade e com grandes expectativas, apesar de não fazer parte dos tradicionais roteiros turísticos (?!).

Posso dizer-vos que é uma cidade espantosa, daquelas em que ganhamos um torcicolo de tanto olhar para cima, tal a imponência e beleza dos seus monumentos. Desta vez as expectativas não foram defraudadas (detesto quando isso acontece) e foram até superadas em larga escala.

A chegada à Salamanca transporta-nos para uma época rica de cultura, entramos num mundo de luz e beleza tamanhas difíceis descrever por palavras.

Uma imagem vale mais que mil palavras e desse modo espero que as fotos desta descoberta  consigam de alguma forma transmitir o que digo.

Salamanca é um município da província homónima, na comunidade autónoma de Castela e Leão, dista de Braga cerca de 400kms e de Lisboa 470kms.

É uma cidade pequena (170.000 habitantes) situada no oeste da Espanha, a 200 km de Madrid. Nomeada Capital Europeia da Cultura em 2002 e Cidade Património da Humanidade em 1988 pela sua riqueza monumental e artística, Salamanca é conhecida em todo o mundo pela sua universidade, uma das mais antigas da Europa.

 

Guia de viagem a Salamanca, Espanha

Se não tivesse possibilidade de entrar nos monumentos, ficaria satisfeita com um passeio demorado ao longo do centro histórico desta fascinante cidade, tal a abundância de verdadeiras obras de arte à espera de serem admiradas exteriormente.

Chegados à Salamanca depois de 4h de viagem, fomos directos ao Posto de Turismo situado na Plaza Mayor levantar, lá está, o mapa turístico da cidade e deu-se o primeiro baque verdadeiramente dito desta viagem – a Plaza Mayor.

Guia de viagem a Salamanca, Espanha
Mapa de Salamanca

 

Vamos então descrever o nosso roteiro de viagem de 2 dias e meio, o que vi e senti.

DIA 1

A Plaza Mayor

Esta praça em muito semelhante à Plaza Mayor de Madrid, é um espaço imponente, belo e grandioso, local cheio de vida, diria até o coração e alma desta cidade, onde se podem encontrar vários bares e restaurantes com as suas especialidades (tapas – “pinchos”, pastelarias, etc.), postos de turismo, lojas de recordações, e sobretudo, o que dá a verdadeira magia a este local – pessoas de várias nacionalidades a tentarem encontrar o melhor ângulo com a Plaza para um dia mais tarde recordar.

Pelo facto de estarmos na Semana Santa, estava sempre bem composta, aliás quando chegamos a cidade estava cheia de gente.

Desenhada no século XVIII por Alberto Churriguera, tem um estilo arquitectónico barroco, em que no centro está o edifício da Câmara Municipal ou “Ayuntamiento”. Declarado Monumento Nacional desde 1935, na justificação técnica e artística afirma-se que é “a praça mais decorada, proporcionada e harmoniosa de todas aquelas existentes na sua época em Espanha”.

Possui 88 arcos e diversos medalhões com efígies.

Guia de viagem a Salamanca, Espanha
Plaza Mayor Salamanca

À noite a iluminação confere-lhe uma maior beleza, como se isso ainda fosse possível, mas o facto é que é possível…palavras para quê?

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Plaza Mayor, Salamanca

De seguida, fomos ao edifício da Universidade Pontifícia de Salamanca, outro local emblemático e sei que estou a ser repetitiva, a fachada deste edifício deixou-me estupefacta, tal o detalhe arquitectónico presente.

Universidade Pontifícia e Clerezia  

Este Colégio Real da Ordem dos Jesuítas foi construído, entre outros, por Gómez de Mora em 1611. Os missionários aí formados estenderam posteriormente a fé católica pelo mundo. No entanto, a monumental obra demorou 150 anos a terminar e quando em 1767 a Ordem dos jesuítas foi expulsa de Espanha por Carlos III, o edifício foi “quartejado”, dividiu-se em partes, sofreu o abandono, guerras, a desamortização e a ruína. Foi em 1946 quando voltou a unir-se e fundou-se a Universidade Pontifícia.

Dizem que as torres foram inventadas para estarem perto do céu, o lugar onde simplesmente se encontrava a felicidade, mas também para vislumbrar o horizonte. Subir as Torres da Clerezia, SCALA COELI, é mesmo isso, é encontrar a felicidade perto do céu, vislumbrando o horizonte.

Ficamos maravilhados e posso dizer-vos que é uma experiencia única, a não perder, respirar aquele ar e contemplar as panorâmicas lindas de Salamanca, conhecer o desconhecido, suster a respiração, deixar-se ir, e permitir-se apaixonar por este local magnifico.

O melhor das viagens é deixarmo-nos apaixonar pelos locais que nos enfeitiçam de um modo muito especial, quase sem darmos por ela..adiante, que já estou a divagar. 🙂

Continuamos então a subida pela Escada do Sineiro, totalmente restaurada, ambientada com luz e som. A passagem entre ambas as torres, já desde o alto, permite uma vista única de Salamanca, oferecendo-nos espectaculares perspectivas do centro histórico desta cidade patrimonial.

Salamanca, Espanha

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O dia terminou na Plaza Mayor onde admiramos a iluminação e a magia que esta devolve à praça e onde fizemos de turistas a sério, a tirar fotos a torto e a direito 🙂 Algumas saíram mesmo mal 🙁

Casa das Conchas  

Fica mesmo em frente à Universidade Pontifícia e Clerezia e é um dos palácios mais populares de Salamanca e um dos melhores exemplos da arquitectura gótica civil espanhola. Foi mandada construir, nos últimos anos do século XV e primeiros do XVI, por D. Rodrigo Arias Maldonado, pessoa chegada aos Reis Católicos e cavaleiro da Ordem de Santiago. As conchas são o principal motivo ornamental da fachada.

Um dos pontos que talvez crie maior controvérsia é o porquê da escolha das conchas como elemento ornamental. Alguns autores vêm como uma mostra de orgulho dos Maldonado por pertencerem à Ordem de Santiago.

Outros autores, sem dúvida mais românticos, indicam que a repetição das conchas, símbolo nobiliário do Pimentel, era uma prova do amor que D. Rodrigo sentia pela sua esposa Dona Maria.

Actualmente este espaço alberga uma biblioteca pública e uma sala de exposições.

Cumpre mas não impressiona.

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Casa das Conchas

 

DIA 2

Universidade de Salamanca 

Fundada como estúdio por volta do ano 1218 por decisão do rei de Leão Afonso IX, foi confirmada oficialmente como Universidade na Carta Magna outorgada por Afonso X em 1254.

Actualmente é a Universidade mais antiga de Espanha.

Diante da fachada da Universidade está o pátio das Escolas Maiores. Pode-se dizer que este pátio foi a primeira intervenção urbanística da cidade, configurado como um espaço para a contemplação da fachada da Universidade.

O pátio é composto pelo edifício gótico das Escolas Maiores (1415), o Hospital de Estudantes (1412), hoje em dia o reitorado, o edifício das Escolas Menores (1533) e a fachada da Universidade (1512-1516).

Segundo a tradição estudantil, aqueles que pretendem aprovar nos exames facilmente devem descobrir antes a rã na fachada da Universidade.

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Universidade de Salamanca

 

Depois de quase ganharmos um torcicolo, recorremos à batota e com a ajuda de turista inglês lá conseguimos encontrar a bendita rã…o que vale é que para já não temos exames 🙂

Não chegamos a entrar no edifício, o nosso roteiro já estava traçado para este dia.

 

Le Ciel de Salamanca

Através do Pátio das Escolas Menores acedemos ao “Céu de Salamanca”. Representa um programa astrológico relacionado com o ensino da astronomia e astrologia na Universidade.

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Museu de Salamanca

Domingo pede uma ida a um museu e lá fomos, felizes e contentes ao museu de Salamanca, que já que estávamos por perto e era gratuito (!).

O museu está situado à volta do pátio central do palácio dos Doutores da Rainha, do século XV. Expõe nas suas salas obras pictóricas, que vão desde o século XV até à actualidade, destacando a Lamentação sobre o Cristo morto, de Luis de Morales, e San Andrés, de João de Flandres.

Guia de viagem a Salamanca, Espanha

Guia de viagem a Salamanca, Espanha

 

Destaco a simpatia dos funcionários, muito prestáveis e atenciosos, aliás uma constante durante toda a estadia. Será que a expressão de “Espanha, nem bom vento, nem bom casamento” está em desuso?!hummm…nuestros hermanos…

Próxima paragem:

Museu Art Noveau Art Déco. Casa Lis

No interior de um impressionante palacete de vidraças chamativas guardam-se alguns dos tesouros mais apreciados da cidade.;19 colecções de artes decorativas do século XIX e princípios do XX, formadas por aproximadamente 2.500 peças de excelente qualidade em perfeito estado de conservação.

Uma doação do antiquário salmantino Manuel Ramos Andrade, uma alegoria Art  Noveau  Art  Déco.

Uma agradável surpresa, não que goste muito de bonecas, mas nunca tinha visto tanta boneca junta…as muñecas francesas e alemãs….acho piada a este substantivo “munecas”!

Museu com peças muito bonitas em porcelana, esmaltes, vidro, bronze, mobiliário inicio séc. XX….

Ficamos por ali a deambular sem pressas (quer dizer, fiquei eu porque o resto da comandita disse que já tinha visto tudo, não sei como, mas desconfio que alguém me enganou)).

Alguém estava impaciente para visitar o Museu do Automóvel e posso garantir de fonte segura que não era eu.

Guia de viagem a Salamanca, Espanha

Guia de viagem a Salamanca, Espanha

 

Museu da História do Automóvel

A antiga Fábrica da Luz foi transformada num dos Museus mais importantes de Europa (a sério?!), o Museu da História do Automóvel. Um local de peregrinação para os adeptos do automobilismo que conta com centenas de peças com alguma história por contar.

Estava à espera de ver grandes máquinas ( a da foto é) mas o facto é que desilude um pouco. Como pouco percebo de carros, não me vou aventurar por “esses mares nunca antes navegados”, if you now what i mean, sob pena de ferir algumas (muitas) susceptibilidades.

Até os compinchas ficaram desiludidos…e mais não digo.

Digo apenas se pretenderem visitar estes dois museus comprem por favor o bilhete único no Posto de Turismo, que custa 4€ e garante a entrada nos dois espaços. Não façam como umas pessoas que eu cá conheço que pagaram 4€ entrada/museu…não digo quem, mas devem estar a ver.

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Museu da História do Automóvel

De volta ao centro demos literalmente de caras com a passagem de uma procissão, mais uma. Salamanca é uma cidade com fortes tradições na Semana Santa.

Mas pelo que vi, e sou bastante suspeita e pouco isenta, Braga bate Salamanca neste aspecto (noutros também). A parte diplomática que não existe em mim diz-me para escrever que cada cidade tem o seu valor e que ambas cumprem cabalmente as suas tradições.

É por isso que este mundo é maravilhoso, tão distinto, é o que nos faz correr enquanto viajantes.

A tarde estava reservada para a Catedral Nova e Velha, outro local incontornável da cidade de Salamanca.

 

Catedral Velha

A silhueta das catedrais preside o céu salmantino e o seu interior alberga a vida e a história da cidade e dos seus cidadãos. Constituem outro conjunto histórico – artístico por Excelência dado que se levantam juntas: a Catedral Velha e a Catedral Nova.

A Nova, gótica, renascentista e barroca, nasce e cresce a partir da outra. A Velha, de estilo românico.

O acesso à Catedral Velha efectua-se através do interior da Nova.

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Catedral Nova

Nos finais do século XV, a povoação de Salamanca aumentou significativamente, mercê do auge e fama da sua Universidade. Desta maneira, em 1513 dá-se início à construção da Catedral Nova, uma das últimas catedrais góticas de Espanha, cuja construção terminou dois séculos depois, em 1733. Diferentes estilos arquitectónicos aparecem reflectidos de forma fragmentária na sua edificação. A Catedral Nova reflecte a ideia do desenvolvimento urbano. A sua grandiosidade mostra una instituição triunfadora perante os seus inimigos ideológicos e os próprios paroquianos. É o maior e mais alto edifício da cidade.

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Exposição IERONIMUS (Subida às torres da Catedral)

As torres medievais da Catedral constituem um dos emblemas mais importantes de Salamanca. Desde a distância definem o seu perfil, a linha do horizonte; e mais perto, com os seus 110 metros de altura, impõem-se rotundamente. O percurso pelo seu interior, abre-nos a possibilidade de conhecer a história da sua construção, inserindo-nos nos seus 900 anos de arte e historia através da exposição documental Ieronimus.

Um olhar inédito, um verdadeiro descobrimento e mais uma contribuição da catedral para a cidade.

Não chegamos a subir, uma vez que já tínhamos subido às Torres da Clerezia.

E de tanto museu, igreja, catedral, quisemos aplicar um plano detox à nossa visita, que é como quem diz, queremos conhecer os parques, queremos ver verde, árvores, bichos.

A intenção até era boa, confesso, mas estacionar em certos pontos da cidade devia ser considerado um desafio, tal a escassez de lugares de estacionamento.

Assim sendo, e em abono da verdade, estávamos de tal forma cansados de tanto andar que fizemos batota e passamos de carro junto dos parques (acho que não conta como visita):

  • Parque de la Alamedillia;
  • Parque dos Jesuítas.

 

Tempo para reestabelecer forças no hotel, um pequeno descanso para alinhar as tropas, afinar estratégias e não fugir (muito) do plano traçado.

 

Ponte Romana  

A tarde terminou com um passeio à beira do rio Tormes, com a ponte romana a servir de cenário, mas antes das fotografias da praxe tomamos uma “cerveja” (estou a habilitar-me a qualquer coisa!), numa das esplanadas junto ao rio, by the way, diz-se caña na língua dos nossos prezados vizinhos.

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Pudemos entrosar-nos na movida do local – basicamente famílias inteiras a passear, mais radicais a andar de skate, casais de namorados felizes ainda com um brilhozinho nos olhos, cães a atravessar o rio, dono a resgatá-los e eu simplesmente a observar (salvo seja) todo este cenário.

A vista da cidade captada do lado do rio, posso afiançar-vos que a vista era mais ou menos esta:

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ÚLTIMO DIA

Neste último dia tínhamos três tarefas bem definidas, pois não podíamos “perder” muito tempo, mais 4 horas viagem de regresso aguardavam-nos.

Convento de San Esteban  

A maior parte deste grandioso edifício foi fundado, no século XVI, pelo cardeal Fernando Álvarez de Toledo, filho do segundo duque de Alba. Destaca-se a efígie da sua formosa fachada, o seu retábulo, claustros e a escada de Soto. Mais um monumento surpreendente.

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Mercado

Visitamos o mercado da cidade mas parte das bancadas já estavam fechadas L nada digno de registo, portanto, mas pareceu-me um pouco pequeno, sem o colorido e mistura de cheiros, característicos dos mercados de outras cidades, por exemplo, Barcelona ou Madrid.

Lojas de “recuerdos”

Camisolas da praxe alusivas à Universidade de Salamanca disponíveis em quase todas as lojas e que possibilitam a estampagem do nome no momento da compra..um must have 🙂 e miniatura da catedral , compras feitas, está a despachar que faz-se tarde.

Outros locais que valem a pena uma visita, entre muitos outros:

  • Plaza de Anaya/Palácio de Anaya

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  • Igreja Purissíma

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Mais informações relativamente a horários e preços, consultar: https://www.salamanca.es/pt

Pela nossa experiência, Salamanca não é uma cidade cara para um viajante: os preços de entrada em museus/monumentos ronda em média os 4€, crianças até aos 12 anos regra geral não pagam.

Quanto ao custo das refeições, uma refeição completa anda à volta dos 15€/20€/pessoa.

No que diz respeito à estadia, optámos pelo Gran Hotel Corona Sol, a 500m do centro histórico, pela sua localização e preço – 60€/noite (sem pequeno almoço incluído).

Podem consultar outras opçoes de alojamento no booking.com:



Booking.com

 

Podem espreitar outras aventuras nossas aqui

E assim aconteceu em Salamanca.

A hora do regresso fez-nos pensar que muito ficou por ver, mas valeu a pena, por cada segundo, cada passo dado, cada olhar…para guardar definitivamente na caixinha das memórias.

P.S. Se conseguiram ler até aqui, estão de parabéns :)…dei-me conta que escrevi muito, mas Salamanca merece!

Até sempre, querida Salamanca!

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